Ferramentas de trabalho do roteirista: teclado e digitação





Ler roteiros, livros sobre roteiros e dramaturgia, ver filmes dos mais variados gêneros. Estudar teoria narrativa, muita literatura, ir aos cinemas, construir network, revisar com cuidado, ser sintético e causar impacto emocional, formatar seus roteiros da melhor maneira possível para objetivar de modo efetivo suas ideias e abstrações por mais loucas que sejam, oferecer mais do mesmo só que diferente, ter paciência e disciplina, capacidade de ouvir não e aprender com eles… estes, dentre inúmeros outros, são aspectos, posturas e recomendações importantes para quem quer iniciar a carreira de roteirista. Mas há um que é bem pouco falado… o quanto você domina suas ferramentas de trabalho!

Sempre uso como exemplo minhas experiências de trabalho. Como trabalhei boa parte da minha vida como servente, que é o ajudante faz tudo em uma obra, que carrega lata cheia de concreto e milhares de tijolos por dia, coa areia, faz a argamassa, limpa ferramentas, corta azulejos, cava buracos, vira ferragens, entre outras centenas de tarefas. Mas mesmo neste trabalho braçal de faz tudo, há técnica envolvida. Lembro de um amigo, que precisava de trabalho e pedi para meu tio dar uma oportunidade para o jovem. Nos divertimos muito, demos muitas risadas. Ele não tinha o menor jeito para o trabalho, não tinha a menor noção de que todo trabalho, por mais simples que seja, precisa de técnica e você precisa compreender como usar suas ferramentas.

Ele, ao tentar abrir uma valeta no chão, que é onde fazemos a base de uma casa, começou a retirar a terra com as mãos, sendo que existe uma ferramenta exatamente para fazer isso, uma pá.

Ainda, quando ele ia pegar uma lata de concreto, ajoelhava no chão, tentava subir a lata até o ombro, e depois se levantar da posição de joelhos.

Em outra ocasião, o pai de um amigo que tinha um açougue pediu para eu ajudar numa temporada de final de ano, quando a demanda do açougue era gigantesca. Mas no primeiro dia, quando peguei uma faca de açougueiro na mão, todos ficaram de prontidão. Pediram para eu não me mexer, pareciam policiais tentando desarmar um bandido. Fiquei parado, pegaram a faca da minha mão e mandaram eu ir limpar o chão. Mais uma vez, é necessário dominar as ferramentas do seu trabalho, seja ele qual for.

Por que estou te dizendo tudo isso?

Um roteirista é um artista, é um trabalhador, é um artesão. E nos dias atuais sua principal ferramenta de trabalho é…. sim, isso mesmo, seu teclado. Você pode até escrever com papel e caneta, mas dificilmente irá apresentar um projeto manuscrito a alguém e muito menos participar de um edital. E para além de técnicas de escrita e evitar vícios de linguagem, sua principal ferramenta de trabalho é o teclado!

Voltando ao lance de trabalhar em obras, é bonito ver um profissional que sabe o que está fazendo, seja assentar tijolos, coisa que meu tia fazia com um prazer invejável, e/ou segurar um martelo. A propósito, é muito engraçado ver alguém que não sabe segurando um martelo. Martelos são segurados mais para baixo do cabo, geralmente onde há até uma curvatura para dentro na madeira, para que você possa dar “galeio” e potencializar a força da batida. Quando a pessoa segura perto do martelo em si, chega a ser engraçado.

A mesma coisa com o teclado. Se você participa de uma sala de roteiristas e não sabe usar seu teclado, é algo visível, e se você precisar digitar na presença de todos pode ser constrangedor demonstrar que você não sabe como usar sua ferramenta de trabalho. Sempre que vejo filmes e alguém interpreta um escritor ou roteirista e este “cata-milho” no teclado sinto que estou diante de um impostor. Ou o ator não sabe o que está fazendo ou interpreta um picareta, de fato. Enfim, alguém pode dizer nas redes sociais que é um roteirista, fazer um e-mail roteirista@algumacoisa. com, mas mais importante que isso, é saber digitar, dominar suas ferramentas.

Depois de muitas escolhas, hoje, quando compro um notebook, uma das minhas principais preocupações não é o processador, nem a capacidade do hd, nem quanto tem de memória, mas sim se o teclado é confortável, sem arestas que “cortam” seus dedos e dificultam a transição dos mesmos, se as teclas são macias e respondem rápido ao toque. A propósito, não precisamos de computadores muito poderosos, o que precisamos para trabalhar são basicamente editores de texto. No PC uso um teclado da microsoft, um Wireless Keyboard 830 que não troco por nada. (Não, não estou recebendo nada por isso!).

Além da escolha de uma boa ferramenta, aí vem a questão de como usá-la e te recomendo o seguinte: faça cursinhos gratuitos na internet sobre digitação. Há centenas deles, e muitos gratuitos, que te explicam a posição dos dedos (catar milho nunca mais, rsrsrs). Você vai aprender a utilizar todos os dedos, digitar enquanto conversa e transcrever coisas com mais facilidade. Sabe aquela situação patética onde você precisa copiar uma citação e demora uma hora? Acabe com ela, digite enquanto lê, sem precisar ficar procurando teclas por minutos no seu teclado. Otimize seu trabalho, digite com a rapidez do seu pensamento e que seus dedos estejam em sincronia com o seu cérebro. Pode ter certeza, isso vai te ajudar bastante. Faça estes cursos até atingir pelo menos 50 ppm e 90% de precisão, e lembre-se, caso a carreira de roteirista der errado, você pode prestar concurso para escrevente.

Alguns cursos de digitação gratuitos na internet:

https://www.typingclub.com/digitacao

https://sense-lang.org/typing/tutor/keyboardingPT.php?key=brasil

https://certificadocursosonline.com/cursos/curso-de-digitacao-online-gratis/

https://www.anossaescola.com/cursos/curso-de-digitacao-online-gratis/

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